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Guias1 de junho de 20265 min de leitura

Brand deal: o que travar no contrato antes de gravar

Antes de ligar a câmera, você precisa que o contrato responda a pelo menos seis perguntas. Veja o que exigir para não ficar correndo atrás de pagamento meses depois.

Por ZenPay Team

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Brand deal: o que travar no contrato antes de gravar
Foto por Sam McGhee no Unsplash

Você fecha o brand deal, filma, edita, publica, e aí começa a parte mais frustrante: descobrir que o departamento de procurement da marca nunca viu o contrato que o time de marketing te mandou. O resultado é NET 90 virar NET 120, e você ainda no meio de uma disputa sobre qual versão do vídeo foi aprovada.

Travar os detalhes certos antes de qualquer gravação não é burocracia: é a diferença entre receber R$ 18.000 em 60 dias ou ficar mandando e-mail para um gerente de contas que já saiu da empresa.

Prazo de pagamento: quem realmente decide

O time de marketing que te contratou quase nunca controla o prazo de pagamento. Quem decide é o procurement, e ele trabalha com ciclos de pagamento fixos, geralmente NET 60 ou NET 90 contados a partir da aprovação da nota fiscal, não da entrega do conteúdo.

Isso significa que se o vídeo for aprovado no dia 2 do mês, mas a nota só for processada no dia 15 (porque alguém esqueceu de dar entrada no sistema), o relógio do NET 60 começa do dia 15.

O que exigir no contrato:

  • Data de vencimento expressa em dias corridos a partir da data de envio da fatura, não da data de aprovação interna.
  • Nome completo e e-mail do responsável de procurement (não do marketing) que vai processar o pagamento.
  • Cláusula de juros moratórios de 1% ao mês + correção pelo IPCA em caso de atraso.

Parece agressivo. Na prática, marcas que pagam em dia nem lêem essa cláusula.

Entregáveis: especificidade é proteção

"Um vídeo patrocinado" não é um entregável. "Um vídeo no YouTube entre 8 e 12 minutos, com até 90 segundos de menção patrocinada entre o minuto 2 e o minuto 4, em formato horizontal 1080p, publicado até 15 de março de 2025" é um entregável.

O que precisa estar documentado

  • Formato e duração: plataforma, orientação (horizontal/vertical), duração mínima e máxima.
  • Janela de publicação: data mais cedo e data mais tarde aceitáveis.
  • Rodadas de revisão: quantas revisões estão incluídas no valor contratado e qual o prazo de resposta da marca para cada uma (72 horas úteis é razoável).
  • Aprovação final: quem na marca tem autoridade para dar o "aprovado". Um gerente de marketing júnior não pode travar sua fatura por semanas alegando que precisa de uma aprovação que não estava prevista.

Cada item fora desse escopo é uma mudança de contrato. E mudança de contrato gera um aditivo, e aditivo gera nova fatura.

Direitos de uso e exclusividade

Brand deals de R$ 4.800 e brand deals de R$ 48.000 às vezes pedem exatamente os mesmos direitos de uso. Eles não têm o mesmo preço.

Perguntas que o contrato precisa responder:

  • A marca pode usar o conteúdo em anúncios pagos (whitelisting/boosting)? Por quanto tempo?
  • Há exclusividade de categoria? "Não posso falar de nenhum outro aplicativo de banco" é completamente diferente de "não posso falar de nenhuma fintech concorrente ao produto X."
  • O contrato se renova automaticamente se a marca continuar usando o conteúdo?

Whitelisting sem prazo e sem adicional é um dos erros mais caros que criadores cometem. Coloque validade de 90 dias e precifique renovações.

Como estruturar a fatura para não dar margem a disputa

Mesmo com o contrato perfeito, a fatura mal estruturada abre espaço para o procurement devolver com "inconsistências" e reiniciar o prazo de pagamento do zero.

Como a maioria dos criadores envia a fatura

  • Envia PDF por e-mail e não sabe se foi aberto ou ignorado.
  • Precisa lembrar manualmente de cobrar quando o vencimento passa.
  • Fatura em BRL mesmo quando a marca paga em USD, perdendo na conversão.
  • Não tem como mostrar entregas parciais ou adiantamentos de forma clara.
  • Precisa criar nova fatura do zero para cada brand deal recorrente.

Como funciona com o ZenPay

  • Link curto compartilhável: a marca abre a fatura no navegador, sem precisar de login ou portal.
  • Auto-reminders disparam automaticamente N dias antes e depois do vencimento, no seu nome, com template editável.
  • Seleção de moeda por fatura: emite em USD, BRL ou EUR para cada cliente sem trocar de conta.
  • Pagamentos parciais e write-offs registrados por fatura, com rastreamento de saldo em aberto.
  • Faturas recorrentes configuradas uma vez, enviadas automaticamente no horário que você definir.

O que fazer quando o pagamento atrasa mesmo assim

Com todas as proteções acima, atrasos ainda acontecem. A diferença é que agora você tem documentação.

Sequência prática:

  1. No dia do vencimento, reencaminhe a fatura com o número do contrato e a cláusula de prazo no corpo do e-mail, em cópia para marketing e procurement.
  2. No 7º dia de atraso, aplique os juros previstos em contrato e emita uma fatura atualizada.
  3. No 30º dia, envie notificação formal por escrito (e-mail com confirmação de leitura serve) citando a possibilidade de encaminhar para assessoria jurídica.

A maioria dos atrasos se resolve no passo 1 ou 2. O passo 3 raramente precisa virar ação real para funcionar.

O contrato de brand deal não precisa ser um documento de 40 páginas. Precisa responder: quem paga, quanto, quando, pelo quê, e o que acontece se não pagar. Quando essas respostas estão no papel antes da gravação, você para de gerenciar inadimplência e volta a fazer conteúdo.

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