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Notícias do setor6 de outubro de 20265 min de leitura

A compressão das margens de câmbio em 2025: o que os dados mostram para agências de viagem

Os corredores de pagamento multimoeda estão ficando mais estreitos em 2025, e as agências de viagem boutique estão pagando o preço. Veja o que os dados mostram e como proteger sua margem.

Por ZenPay Team

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A compressão das margens de câmbio em 2025: o que os dados mostram para agências de viagem
Foto por Jason Leung no Unsplash

Os spreads de câmbio que as agências de viagem absorviam silenciosamente há anos agora aparecem na demonstração de resultados. Em 2025, os corredores de pagamento multimoeda encolheram de forma mensurável, e quem trabalha com depósito em reais e paga fornecedores em euros, dólares ou libras sente isso antes mesmo de fechar o grupo.

O que mudou nos corredores de câmbio em 2025

Durante boa parte de 2023 e 2024, o spread médio praticado por bancos tradicionais em transferências internacionais B2B girava entre 1,8% e 2,5% sobre a taxa interbancária. Dados compilados por provedores de câmbio corporativo apontam que, no primeiro trimestre de 2025, esse spread subiu para a faixa de 2,8% a 3,6% em corredores como BRL/EUR e BRL/USD, puxado por três fatores simultâneos:

  • Volatilidade cambial elevada: o real operou com desvio-padrão diário acima de 1,2% no primeiro trimestre, forçando os provedores a ampliar buffers de risco.
  • Liquidez reduzida em corredores emergentes: saídas de capital de mercados emergentes reduziram a profundidade de mercado, especialmente no par BRL/GBP.
  • Reprecificação de risco regulatório: exigências crescentes de conformidade cambial no Brasil elevaram o custo operacional de bancos correspondentes.

Para uma agência que fecha um grupo de R$ 320.000 em BRL e precisa pagar um operador turístico europeu em EUR, um spread de 3,2% versus 2,0% representa R$ 3.840 a mais na conversão. Aplicado a seis ou oito grupos por mês, isso é dinheiro que sai direto da margem operacional.

A janela entre depósito e saldo

O problema não é só o spread atual. É a janela temporal. Quando você recebe o depósito de 30% do cliente em janeiro e paga o saldo ao fornecedor em março, o câmbio que você praticou no orçamento raramente é o câmbio que você encontra na liquidação. Em grupos de viagem de alto valor (R$ 80.000 a R$ 200.000 por pessoa em roteiros de luxo), uma variação de 4% no BRL/EUR entre o depósito e o saldo equivale a queimar a comissão inteira do pacote.

O que os dados indicam sobre absorção de perdas

Uma análise de agências de médio porte no Brasil (faturamento entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões anuais) sugere que:

  • Cerca de 62% das agências não têm política formal de hedge cambial.
  • A maioria usa cotação do dia do fechamento do contrato como base, sem trava de câmbio.
  • O custo médio de câmbio não monitorado por booking de grupo está entre R$ 1.200 e R$ 4.500, absorvido como "custo de operação".

O problema invisível: essas perdas raramente aparecem como linha separada no financeiro. Elas se diluem em "custos de fornecedores" ou "ajustes operacionais", o que torna impossível medir a real erosão de margem ao longo de 12 meses.

Reconciliação multimoeda: onde o tempo vai embora

Além da perda financeira direta, há um custo operacional subestimado. Cada reserva de grupo tem fornecedores em moedas diferentes: hotel em EUR, seguro em USD, guia local em GBP, transfer em BRL. Reconciliar esses pagamentos manualmente, converter para reais na data do pagamento e registrar com a taxa correta pode consumir 4 a 6 horas por grupo em equipes sem sistemas integrados.

Como a maioria das agências faz hoje

  • Emite o depósito em BRL e o saldo em uma moeda diferente, sem rastreamento cruzado.
  • Controla pagamentos de fornecedores em planilhas separadas por moeda.
  • Descobre a perda cambial só no fechamento mensal, quando já é tarde.
  • Precisa lembrar manualmente de cobrar o saldo 30 dias antes da viagem.

Como o ZenPay organiza isso

  • Carteiras multimoeda agregam totais por moeda (BRL, EUR, USD, GBP) em tempo real.
  • Cada fatura registra a taxa de câmbio no momento do pagamento, para relatórios precisos.
  • Relatórios de receita por moeda mostram onde a margem está sendo comprimida.
  • Auto-lembretes disparam N dias antes do vencimento, no seu nome, para cobrar o saldo sem constrangimento.

Como proteger a margem sem contratar um tesoureiro

A proteção cambial profissional (NDFs, opções de câmbio) é acessível para operações acima de US$ 500.000 por transação. Para a maioria das agências boutique, esse não é o caminho. O que funciona na prática:

1. Embutir o risco cambial no preço Cotações fechadas por mais de 45 dias deveriam incluir um buffer explícito de câmbio, tipicamente de 3% a 5% sobre o componente internacional. Documente isso no contrato como "ajuste cambial" para que o cliente entenda que não é margem extra sua.

2. Separar o fluxo de moeda no momento da fatura Emitir a fatura do cliente em BRL (ou na moeda negociada) e registrar separadamente os compromissos com fornecedores por moeda. Isso transforma o risco cambial de surpresa em variável monitorada.

3. Antecipar o pagamento de fornecedores quando o câmbio fechar bem Se o BRL/EUR estiver favorável em um dia, pagar o fornecedor europeu antes do vencimento pode ser mais rentável do que qualquer negociação de preço. Isso requer visibilidade de caixa por moeda, não só por saldo total.

4. Usar links de fatura para acelerar o depósito inicial Quanto mais rápido o cliente paga o depósito, menor a janela de exposição cambial. Links de fatura compartilháveis, sem necessidade de portal, eliminam o atrito do "preciso entrar no sistema" e reduzem o ciclo de pagamento do depósito em dias.

O que esperar para o restante de 2025

Os sinais macroeconômicos não sugerem que os spreads voltem ao patamar de 2023 no curto prazo. A volatilidade do BRL continua estruturalmente elevada, e corredores emergentes devem permanecer com liquidez restrita pelo menos até que o ciclo de aperto monetário global se estabilize.

Para agências de viagem boutique, a lição prática é esta: a margem cambial que você não mede é a margem que você perde sem perceber. Monitorar em tempo real quanto cada grupo custou em cada moeda, e quanto entrou em cada moeda, não é sofisticação financeira. É gestão básica de caixa que a maioria ainda faz no Excel.

O câmbio comprimiu. A janela para reagir está aberta.

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